domingo, 23 de maio de 2010

INTERAÇÃO MEDIADA POR SOFTWARES EDUCATIVOS


Apesar de ter sido um dos últimos segmentos da sociedade contemporânea a se render à informática, a presença das novas tecnologias da informação e comunicação como parte ativa dos processos educacionais está cada vez mais presente nas escolas de formação básica. As grandes mudanças que ocorreram na educação, e mais precisamente na teoria pedagógica, estão de certo modo ligadas às transformações que se deram nos meios de comunicação: da educação realizada através da oralidade e da imitação, ao ensino através da linguagem escrita, tendo como seu principal suporte o livro impresso, aos recursos computacionais hoje disponíveis. As teorias do construtivismo defendidas por Piaget e Vigotsky apesar de terem sido criadas muito antes do próprio computador, tiveram nele um grande aliado capaz de facilitar o desenvolvimento de seus pressupostos. .
A difusão do uso da Internet, no processo educativo demanda mudanças substanciais na maneira como a educação tem sido tradicionalmente conceitualizada e praticada. No entanto, no circuito da educação formal ainda predomina uma concepção meramente instrumental no que diz respeito a incorporação dessas novas tecnologias. A informatização das escolas é considerada quase uma fatalidade e apregoada como necessidade de modernização. Esta costuma ser a tônica do discurso presente nas políticas governamentais, nas reivindicações dos pais e nos setores da iniciativa privada, muitas vezes, como investida de marketing. Porém, deve ser vista com uma grande fonte de informação, que favorece a construção dos ambientes colaborativos, onde os agentes dispersados geograficamente contribuem na construção de um conhecimento coletivo.
Os rápidos avanços no surgimento de novos elementos de hardware, como canal de voz, CD-ROM e videodisco, difundem o hipertexto multimídia, ou seja, hipermídia, que combinando o realismo da televisão com a flexibilidade do computador, tem gerado um grande impacto na educação. No entanto, ainda não está claramente difundida qual a metodologia de ensino-aprendizagem que deverá servir de base para a melhor utilização de toda esta tecnologia a partir das concepções pedagógicas presentes no cotidiano escolar.
Hoje existem diversas análises e diferentes escolas do pensamento, havendo, porém, poucas controvérsias quanto a necessidade do uso dos computadores em sala de aula. Devido a inúmeros projetos bem sucedidos, já existe a percepção dos educadores de que sendo o processo de informatização da sociedade brasileira irreversível, a escola também deve se adequar a este novo paradigma ou correrá o risco de não ser mais compreendida pelas novas gerações.
Levy (1999) disse que "... os computadores são parte de uma tecnologia que tem como fim o processamento, o gerenciamento e a disseminação da informação/conhecimento", esse também é o objetivo do processo educacional. Portanto, deve haver uma avaliação direcionada para o software educativo, e a primeira e principal etapa é definir o tipo de uso a que se destina, isso reflete a concepção pedagógica do software. "Toda prática pedagógica está profundamente impregnada de uma determinada visão da natureza humana"; desta forma pode-se observar o paradigma comportamentalista (modalidade dura, enfoque algorítmico e os conceitos de qualidades decorrem da visão empirista e racionalista) e o paradigma construtivista (modalidade branda, enfoque heurístico e os conceitos de qualidade decorrem da visão interacionista).
Moran (2001) afirma que "...o computador deve ser usado no processo ensino-aprendizagem, antes de qualquer outra coisa, como um meio para implementar o que com outros meios não seria possível ou seria difícil obter.", neste sentido Levy (1999) declara "... não é desejável que o software venha substituir situações já resolvidas de modo mais simples", desta forma um bom software educacional deve propiciar "...experiências educacionais novas e ricas, ou pelo menos, tornará muito mais eficiente o ensino efetivado nos moldes tradicionais".

Bibliografia:

ALMEIDA, Maria Elizabeth de. Proinfo: Informática e formação de professores. Secretaria de Educação a Distância. Brasília: Ministério da Educação, Seed, 2000.
CARDOSO, Clodoaldo Meneguello. A canção da inteireza. Uma visão holística da educação. São Paulo. Summus, 1995.
FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. Rio de Janeiro. Paz e Terra, 1975
___________. Pedagogia da Autonomia. Saberes necessários à prática educativa. Rio de Janeiro. Paz e Terra, 1997.
LÉVY, Pierre. As Tecnologias da Inteligência. São Paulo. Editora34, 1999
___________. Cibercultura. São Paulo. Editora34, 1999
MORAN, José Manuel; BEHRENS, Marilda Aparecida e MASETTO, Marcos T. Novas tecnologias e mediação pedagógica. SP, Ca

2 comentários:

  1. Olá...
    Interessante o texto.
    ...
    E, vendo-o, preocupo-me como nós, enquanto educadores, estamos fazendo uso de autores como Vygotsky, Piaget, ..., para justificar o uso e os benefícios do computador, por exemplo. Estes não vivenciaram o nosso mundo, escreveram as suas teorias em outros contextos, mas nós nos apropriamos e resignificamos as palavras (é uma prática que também faço). Mas será que se eles estivessem vivos realmente pensariam desta forma? (Fico pensando...)

    Um abraço
    Adriano

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  2. Vejam este site, existem softwares que são construídos por alunos para outros alunos de séries anteriores.

    www.softwareseducativos.eti.br

    educationhipermidia@yahoo.com.br

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